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Estiagem já provoca estragos nas lavouras em Goiás
terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Captura de Tela 2015-01-20 às 14.38.29Se a previsão meteorológica para os próximos dias se confirmar, sem grandes volumes de chuvas, lavouras das principais regiões produtoras de grãos do Estado podem registrar quebra de até 20% na safra de soja.

O estresse hídrico ocorre em uma fase importante do desenvolvimento da oleaginosa e pode causar estragos maiores, já que a previsão de chuvas intensas é apenas para o próximo dia 22. Este é o segundo ano consecutivo que o veranico incomum para janeiro prejudica produtores.

Lavouras da Região Sudoeste, Sul e Entorno do Distrito Federal, principais regiões produtoras do Estado, são as que mais estão sofrendo com o veranico. Em plena fase de enchimento de grãos, existem localidades que não vêm chuva há 18 dias.


Estrago

O engenheiro agrônomo da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores do Sudoeste Goiano (Comigo), Maurício Miguel, informa que, de forma geral, a região não sente uma boa chuva há cerca de dez dias. Para medir o estrago, conforme ele, é necessário avaliar a época de plantio do produtor, o tipo de solo, além da quantidade de água absorvida pelo solo.

“Tivemos dois veranicos em outubro e agora este de janeiro. Quem plantou muito cedo conseguiu recuperar”, diz. Entretanto, com o prolongamento do período da seca, a maioria iniciou plantio somente em novembro.

A combinação de altas temperaturas e baixa umidade compromete ainda mais a produtividade. Com umidade abaixo, de 32%, a planta não consegue realizar fotossíntese para desenvolver os grãos de soja dentro da vagem. Por outro lado, as altas temperaturas fazem com que as pancadas de chuvas que caem em algumas regiões evaporem logo quando tocam o solo, não beneficiando a planta.

Por isso, nestas circunstâncias, o tipo de solo é fundamental para o resultado final. Áreas mais argilosas, cujo solo consegue manter a terra úmida por um período maior, conseguem evitar por mais tempo os efeitos nocivos do veranico e estão registrando quedas menores.

O produtor rural de Mineiros Marco Antônio Oliveira Campos explica que na área onde seu solo é mais arenoso já sente perda de até 10% na produtividade. Embora não tenha calculado as perdas da área argilosa, afirma que a quebra foi menor. “Choveu hoje (ontem) aqui na minha área, mas tem regiões que a soja está morrendo”, diz o produtor.

Já o produtor de Rio Verde, Sudoeste do Estado, Sandro Henkes, calcula perda média de 15% nos 3 mil hectares plantados de soja. Ele explica que as chuvas estão espaçadas e, dentro da própria fazenda, existem diferenças significativas de volume de água incidente. “Aqui teve lugar que choveu e outro não nos últimos dias”, diz. Ele informa que as únicas áreas que sairão incólumes da estiagem serão as plantadas logo no início de outubro, após as primeiras chuvas. “Mas logo parou de chover, daí interrompemos o plantio e voltamos só 20 dias depois”, explica.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015