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Mitsubishi turbina expansão da Agrex
quarta-feira, 9 de julho de 2014
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Fachin: “Esse crescimento é reflexo da base financeira mais forte e estruturada que ganhamos com os japoneses”

Um ano depois de ter o controle adquirido pela japonesa Mitsubishi, a empresa agrícola brasileira Ceagro, rebatizada como Agrex, registrou incremento expressivo em seu faturamento já na safra 2013/14 e traça planos ambiciosos de expansão para os próximos cinco anos.

A companhia, que atua na produção e comercialização de grãos, estima que sua receita consolidada tenha alcançado R$ 1,5 bilhão no ciclo encerrado em 30 de junho, 25% acima da temporada anterior (R$ 1,2 bilhão). “Esse crescimento é reflexo da base financeira mais forte e estruturada que ganhamos com os japoneses”, afirmou ao Valor Paulo Fachin, fundador da Ceagro e diretor-presidente da Agrex do Brasil.

A mudança na denominação da Ceagro, sediada em Goiás, tornou-se necessária na medida em que a expansão das operações criou um embate com empresas homônimas em várias regiões do país. “Estávamos numa disputa jurídica em que todo mundo tinha um certo direito sobre o nome”, disse Fachin. O nome Agrex já era usado pela Mitsubishi em seus negócios de trading em países como EUA e China, e a mudança no Brasil foi oficializada em janeiro passado.

A Mitsubishi se aproximou da Ceagro no começo de 2012, com a compra de 20% do capital da empresa. Em junho de 2013, a múlti ampliou sua fatia para 80% ao adquirir as ações que eram do grupo argentino Los Grobo e da gestora de investimentos Vinci Partners, que controlavam a Ceagro desde 2010. O valor da transação não foi revelado, mas especulações à época a estimaram em cerca de US$ 500 milhões. Fachin permaneceu com sua fatia de 20%.

Criada em 1995 como uma revendedora de insumos em Balsas, no Maranhão, a Ceagro contava inicialmente com apenas dois funcionários. Em quase vinte anos, espalhou-se por sete Estados e viu seu quadro de contratados saltar para 550 pessoas. Nesse intervalo, a empresa diversificou significativamente sua atuação, mas pelo menos 70% da receita ainda está concentrada na venda de insumos e na comercialização de commodities.

Hoje como Agrex do Brasil, a companhia tem 14 lojas focadas na venda de defensivos, fertilizantes e sementes, e tem investimentos próprios nesses dois últimos segmentos. Em Goiatuba (GO), mantém uma unidade produtora de sementes, e planeja iniciar a construção de outra planta do gênero em Lagoa da Confusão (TO), a partir de investimentos da ordem de R$ 15 milhões.

No mercado de fertilizantes, atua por meio da Península Norte, joint venture com a paranaense Península Fertilizantes que mistura adubos em São Luís (MA) e atende o Mapito (confluência entre os Estados de Maranhão, Piauí e Tocantins) e o leste de Mato Grosso.

Mas foi no segmento de trading que o controle dos japoneses produziu reflexos mais imediatos, com metas turbinadas de originação (compra de produtos para exportação). O objetivo é chegar, nos próximos cinco anos, a 5 milhões de toneladas de soja e milho originadas do Brasil, ante as atuais 1,2 milhão de toneladas – das quais menos de 20% vêm de produção própria.

No momento, a maior parte das cerca de 10 milhões de toneladas de grãos movimentadas pela Mitsubishi no mundo são oriundas dos EUA, mas a expectativa é que em até dez anos haja um “equilíbrio maior” com a oferta do Brasil, conforme Fachin. Ele evita dar detalhes sobre as projeções globais, mas circula no mercado a informação de que o plano da gigante japonesa é negociar um total de 20 milhões de toneladas de grãos até o fim da década.

As novas metas, entretanto, vêm com um pacote de benefícios, entre eles o grande respaldo financeiro da controladora e o maior acesso aos mercados compradores. “A rede que a Mitsubishi tem na Ásia nos dá segurança de poder continuar crescendo na originação e ter mercado do outro lado do mundo”, afirmou o executivo.

Nesse sentido, a Agrex do Brasil pretende ampliar a produção própria na próxima safra (2014/15), que começará a ser plantada em setembro. A expectativa é elevar em quase 35% a área com soja e milho, de 70 mil para 94 mil hectares. Esse aumento virá de áreas que a companhia abriu nos últimos anos em suas 24 fazendas, a maioria no Mapito.

A empresa planeja, ainda, estrear no plantio de algodão no oeste da Bahia este ano, com a semeadura de 1,3 mil hectares por meio de sua subsidiária Synagro, originalmente uma revenda de insumos. “Mas não temos um foco direcional no crescimento da produção própria. Crescemos mais quando surge uma boa oportunidade”, pondera Fachin.

Do lado de fora da porteira, a Agrex tem reforçado os investimentos em logística e armazenagem, com aportes de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões por ano e foco na exportação pelo corredor do Norte do país. A empresa inaugurou na safra passada duas unidades de estocagem, em Querência (MT) e Gurupi (TO), que contribuíram para elevar a capacidade estática para cerca de 500 mil toneladas.

Além disso, a Agrex está construindo outro armazém com transbordo ferroviário às margens da ferrovia Norte-Sul, em Porto Nacional (TO), que absorveu aportes de R$ 25 milhões e deverá começar a operar em janeiro do ano que vem.

A obra foi estimulada por um contrato de longo prazo com a mineradora Vale na Norte-Sul, onde a Agrex já detém 105 vagões. A previsão da empresa é fechar 2014 com a movimentação de 500 mil toneladas. “Como temos crescido a taxas de 20% a 25% por ano, é fácil imaginar que chegaremos rapidamente a 1 milhão de toneladas nesse corredor”, disse Fachin.

Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 9 de julho de 2014