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Retenção de talentos – por Renata Câmara Carvalho
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
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Apesar do baixo desempenho econômico do Brasil, com a expectativa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2014 ficar em 0,2%, o mercado de trabalho segue aquecido. Com muitas ofertas de vagas, os profissionais tendem a mudar de emprego em busca de salários mais atraentes e de condições de trabalho que possibilitem melhor qualidade de vida. Nesse cenário favorável ao colaborador, fica difícil para as empresas conseguirem reter o profissional.

Mas até que ponto isso é positivo? Quando um colaborador já está desplugado da empresa, o pior caminho é tentar retê-lo. O importante é valorizar o profissional que corresponde às expectativas nele depositadas. É aí que entra o grande desafio das empresas: engajar os colaboradores.

As pessoas querem trabalhar com líderes inspiradores. O desafio apresentado a elas tem de ser coerente com suas habilidades e cargo. É fundamental que haja transparência e feedback constante. Hoje, o grande segredo não é mais reter talentos. As empresas precisam encontrar caminhos para encantar as pessoas.

Quais seriam esses caminhos para alcançar o encantamento? Primeiramente, as pessoas precisam se sentir pertencentes à empresa, participando das decisões, escolhas e definições que impactam o seu dia a dia. É essencial que os colaboradores tenham a exata noção do quanto o trabalho que desempenham é primordial para o alcance de bons resultados.

Contratar pessoas que possuam os mesmos valores da empresa é estratégico. Quem tem postura e princípios diferentes dos que a corporação aprecia não se adaptará. Outro ponto importante é a comunicação, que deve ser clara, franca e objetiva. O colaborador não pode ter dúvida sobre o que se espera da sua atuação. Com isso, o comprometimento dele certamente será muito maior, com resultados muito mais favoráveis.

Mas nada disso fará o menor sentido se não houver o reconhecimento do esforço desempenhado. A valorização precisa ser justa e atender às expectativas de empregador e empregado. A tendência é que nos próximos meses tenhamos uma diminuição na grande rotatividade de mão de obra que existe atualmente. Mudar de emprego e buscar novos desafios, para muitos, será uma opção apenas em casos excepcionais. Esse novo momento se deve principalmente a retração do mercado.

Segundo a Agência Reuters, o Brasil fechou 30.283 vagas formais de trabalho em outubro. Consequência da demissão maciça de trabalhadores na indústria, na construção civil, na agricultura e da menor contratação nas áreas de comércio e serviços. Nesse novo momento, com desaceleração dos postos de trabalho com carteira assinada, os trabalhadores precisarão refletir sobre a organização para a qual trabalha, para não tomar decisões impensadas que podem vir a afetar seu futuro profissional.

 RENATA CÂMARA CARVALHO é gerente de Gestão de Pessoas da Agrex Brasil.

O Popular

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014